Cultura de Atenas : Panateneias, as grandes dionisicas, jogos e culto cívico 10º ano História A
Cultura de Atenas : Panateneias, as grandes dionisicas, jogos e culto cívico 10º ano História A
Uma cultura aberta a cidade
Embora divididos num sem-número de cidades-estado, os Gregos têm uma forte unidade cultural: a mesma língua, os mesmos deuses, as mesmas tradições dão-lhes a consciência de serem um só povo. Chamam-se, a si próprios, de Helenos, e todos aqueles que não partilhavam da sua língua e da sua cultura eram apelidados, algo depreciativamente, de Bárbaros. Esta identidade cultural, que nem os conflitos conseguiam quebrar, reforçava-se com os contactos que as pólis mantinham entre si: de cidade para cidade, circulavam comerciantes, declamadores de histórias, artistas, professores famosos, peregrinos a caminho de um santuário.
As grandes manifestações cívico-religiosas
A religião assumiu um papel fundamental na vida dos Gregos, que reservavam um número muito significativo de dias para honrar os deuses com manifestações públicas que envolviam toda a pólis. Algumas, pela sua grandiosidade, atraíam peregrinos de toda a Grécia, revestindo-se, por isso, de um carácter pan-helénico.
O culto cívico
Embora em toda a Grécia se adorassem as mesmas divindades, cada pólis tinha os seus cultos próprios, venerando, em especial, os deuses protetores da cidade. Uma vez que não existia, nas cidades gregas, uma classe sacerdotal pro- priamente dita, a organização do culto ficava também a cargo dos cidadãos. Realizar oferendas, velar pela manutenção dos templos e custear as festas religiosas eram considerados deveres cívicos tão relevantes como participar na política ou servir no exército. Um bom cidadão nunca descuidava as suas obrigações religiosa.
Em Atenas, as funções religiosas ficavam a cargo dos arcontes e de outros magistrados escolhidos para o efeito. As despesas com o culto eram suportadas pelo tesouro público e pelos cidadãos mais ricos que asseguravam, do seu próprio bolso, os fundos necessários às celebrações mais dispendiosas. Tal era o caso das festas em honra de Atena, a protetora da cidade, e de Dionísio, o deus do vinho.
As Panateneias
As festividades em honra de Atena – as Panateneias – realizavam-se todos os anos no mês de julho e assumiam um carácter marcadamente cívico, pois, ao glorificarem a deusa, valorizavam também a cidade que ela protegia, alimen- tando o sentimento de orgulho e de união dos Atenienses. De quatro em quatro anos realizavam-se as Grandes Panateneias, celebra- das com um luxo extraordinário, que atraía participantes de toda a Grécia. Durante duas semanas, a deusa era honrada com concursos musicais, danças e provas desportivas que culminavam numa enorme procissão, em que a cidade presenteava a deusa Atena com um novo manto, tecido e bordado pelas don- zelas das melhores famílias.
As Grandes Dionisíacas
As principais festas em honra de Dionísio – as Grandes Dionisíacas – celebra- vam-se em março, quando a vinha despontava. Duravam seis dias e foram os seus rituais que deram origem ao teatro. Com efeito, no decurso do século VI a. C., os coros e as danças com que se homenageava o deus evoluíram para verdadeiras representações dramáticas que ocupavam, por inteiro, os três últimos dias das celebrações. Como era vulgar na Grécia, as festividades em honra de Dionísio aliavam ao culto sagrado um carácter competitivo. Os autores concorriam com um con- junto de três peças (trilogia) que, depois de representadas, eram objeto da ava- liação de um júri, que nomeava o vencedor. Para além de uma pequena soma em dinheiro e de uma coroa de hera, o autor premiado recebia a distinção de ver o seu nome inscrito nos registos de honra da cidade. Dado o carácter alargado das Grandes Dionisíacas, eram admitidos a estes concursos dramáticos poetas de todo o mundo grego. São, porém, naturais de Atenas os três maiores vultos da tragédia antiga, Ésquilo (525-456 a. C.), Sófocles (495-406 a. C.) e Eurípides (484-407 a. C.), cujas peças trágicas ainda hoje são representadas, mantendo-se no repertório das mais conceituadas companhias de teatro. Visto servirem um fim religioso, as peças apresentam um pendor morali- zante, pondo em evidência a sujeição do Homem aos deuses e aos seus desígnios. Mas, se se mostra incapaz de contrariar o destino que os deuses lhe traçaram, o herói das peças trágicas luta e sofre dignamente, revelando toda a grandeza da alma humana. Embora mais tardiamente que a tragédia, a comédia integrou também o programa das Grandes Dionisíacas. De tom jocoso, a comédia encontrava os seus temas na sátira social, incitando ao riso e à boa disposição, sem, no entanto, negligenciar objetivos moralizadores. Nas peças de Aristófanes (445-385 a. C.), o maior dos autores cómicos, destaca- -se a crítica à vida pública de Atenas, seja ao funcionamento das instituições de- mocráticas, à educação dos jovens ou até à emancipação da mulher! Considerado uma das mais originais criações do génio grego, o teatro es- palhou-se por todo o mundo helénico, mantendo, até ao início da nossa era, o seu carácter de grande manifestação cívica e religiosa.
Os jogos
A crença nos mesmos deuses originou pontos de referência religiosa, lugares sagrados onde convergiam peregrinos de toda a Hélade. Embora existissem numerosos santuários, os mais famosos eram o de Delfos, o de Olímpia, o de Nemeia e o de Corinto. Em todos se realizavam, periodicamente, competições artístico-desportivas de carácter religioso que atraíam multidões: os jogos. Os jogos eram uma forma de devoção tipicamente grega. O esforço dos atletas era considerado uma homenagem prestada aos deuses, que mostra- vam as suas preferências “escolhendo” o vencedor. Os mais famosos de todos os festivais pan-helénicos eram os que se realizavam, de quatro em quatro anos, em honra de Zeus, no santuário de Olímpia 24) Eram, segundo a tradição, os mais antigos de todos, datando de 776 a. C., ano utilizado, mais tarde, para estabelecer o calendário grego. Na altura da sua realização proclamavam-se tréguas sagradas que interrompiam os conflitos lo- cais em toda a Grécia. Para além das cerimónias religiosas celebradas no templo de Zeus, eram as provas desportivas que atraíam atletas e peregrinos. Apenas os homens e os adolescentes livres, de pura ascendência grega, podiam participar nas competições, o que se explica pelo carácter sagrado das festividades que exigiam aos atletas a comunhão dos mesmos valores cívicos e religiosos. Quanto aos espectadores, podiam ser bárbaros, escravos ou raparigas solteiras; mas as mulheres casadas nem sequer podiam entrar no recinto dos jogos. Para estas existiam festas, igualmente quadrienais, no templo de Hera. O prémio atribuído aos vencedores resumia-se a uma coroa de ramos de oli- veira brava. Era, porém, uma coroa de glória, já que as respetivas vitórias eram perpetuadas na poesia, na pintura e na escultura, o que os fazia ascender à categoria de heróis e usufruir de honras múltiplas aquando do regresso à sua cidade. As celebrações pan-helénicas contribuíram muito para a união entre os gregos. Elas permitiam esquecer, por algum tempo, as desavenças entre as cida- des e uniam os homens num mesmo sentimento de identidade nacional, de pertença a uma pátria comum.
Credito nas imagens





Comentários
Postar um comentário